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A feliz junção do colorido espírito brasileiro e musicalidade espontânea firmou Clélia Iruzun, como uma das artistas mais interessantes, no cenário mundial, nos últimos anos.

Na plêiade tradicional de pianistas mulheres sul-americanas - como Teresa Carreño, Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro e a legendária Martha Argerich - críticos atuais vêm exaltando as potentes interpretações de Clélia do repertório romântico, em que: “O lirismo eclodiu com a clareza do cristal”.

Sua infância transcorreu na atmosfera culturalmente rica e diversificada da cidade do Rio de Janeiro, onde aos quatro anos, iniciou seus estudos de piano. E aos sete, já conquistara seu 1º Concurso, ocorrendo seu début com orquestra – Concerto de Grieg - aos quinze anos.

A mestra altamente respeitada - Maria Curcio – concedeu-lhe então uma bolsa de estudos em Londres, onde também foi aluna de Christopher Elton, na Royal Academy of Music, e mais tarde, de Noretta Conci e Mercês de Silva Telles - esta sua especial orientadora - na procura do estilo definitivo. Entre seus mentores incluem-se Fou Ts’Ong, Stephen Kovacevich e os compatriotas - os grandes pianistas: Jacques Klein e Nelson Freire.

Proeminentes figuras musicais tiveram a atenção voltada para o talento pianístico da menina, como Francisco Mignone, que lhe dedicou uma Suíte.

Clélia é detentora de inúmeros prêmios no Brasil e na Europa, distinguindo-se: Tunbridge Wells (Inglaterra), Paloma O’Shea em Santander e Pillar Bayona em Zaragoza (Espanha).

Atuando como solista em recitais e com orquestras, pela Europa, Américas e Ásia, - sua mais recente tournée à China abrangeu nove concertos para enormes platéias,- entre outros, no Grande Theatro de Xangai e na Sala de Concertos da Cidade Proibida em Pequim. Lá executou repertório nunca antes ouvido pelos chineses, como peças de Villa-Lobos, Mignone, Nazareth e Tom Jobim.

Apresenta-se, outrossim, com freqüência no Wigmore Hall em Londres. Lá estreou recentemente, em 2005, a Sonata de João Guilherme Ripper e, em outra récita, a Sonata Breve de Marlos Nobre, em 1ª audição mundial, na mesma sala.

Além do Wigmore Hall, toca no Purcell Room, Queen Elizabeth Hall no South Bank Centre, St John’s Smith Square em Londres ; e em importantes Sociedades Musicais, por todo o Reino Unido.

Convidada para participar de um Concerto da BBC, executou uma nova obra da compositora Elena Kats-Chernin intitulada “Torque” para piano, acordeon e cordas, com o Conjunto Lontano e a regente Odaline de la Martinez - transmitida ao vivo pela BBC Rádio 3.

Concertos e tournées já levaram Clélia ao Canadá, Estados Unidos, à ex-Iugoslávia, Polônia, República Tcheca, Espanha e Portugal. Foi recitalista igualmente em Paris e em vários festivais, destacando-se o de Montpellier. Na Escandinávia, suas audições nas grandes Salas de Gotemburgo e Estocolmo obtiveram grande sucesso.

Em 2002 fora a vez de estrear a Fantasia Brasileira Nº.3 de Mignone com a Orquestra de Kristiansand na Noruega e em 2004, novamente a première desta Fantasia de Mignone e o Concertante do Imaginário de Marlos Nobre, com a Orquestra de Poznan na Polônia.

No Brasil apresenta-se sempre nas melhores salas como o Teatro Cultura Artística em São Paulo, Teatro Castro Alves em Salvador e no Rio, na Sala Cecilia Meireles e Teatro Municipal.

Planos para 2006/7 incluem tournées no Brasil, com o Concerto K488 de Mozart (em comemoração aos seus 250 anos de nascimento), recital na Fundação Oscar Americano em São Paulo, como parte da British Week, concertos no Reino Unido, Estados Unidos, Escandinávia, Portugal, França e China.

Em gravações, Clélia prestigia sempre a música de compositores sul-americanos: Villa-Lobos (1992, Meridian Records, relançado em 2005), Latin American Dances (1999, Intim Musik), The Waltz Album, com famosas valsas de compositores românticos e brasileiros (2001, Intim Musik) e Brazilian Mosaic, incluindo a primeira gravação mundial do Concertante do Imaginário de Marlos Nobre (2003, Lorelt). O ano de 2005 assistiu ao lançamento, com ótima repercussão do disco dedicado ao compositor cubano Ernesto Lecuona, para o selo Lorelt. Seu CD com os Concertos para piano Nº1 e o Concerto para piano e violino de Mendelssohn, juntamente com o regente/violinista Joachim Gustafsson (1999, Intim Musik) foi escolhido, por votação, a melhor gravação do Concerto Duplo pela Rádio Sueca.

Em 2006 um novo CD com o flautista Marcelo Barboza será lançado pela Meridian Records e outro CD, dedicado à música brasileira para piano, gravado pela Lorelt.

Clélia é casada com Renato e tem dois filhos Raphael e Maria Clara. Reside em Londres, mas visita o Brasil duas a três vezes por ano. Quando não está tocando ou em tournées, ela se interessa por cinema, artes plásticas e culinária.